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Capítulo X

Aventura: Auditoria no Descoberto

Auditoria de Rotina de Ativos Hídricos. Chegada prevista: 08h00. Favor providenciar café.

O começo de uma campanha, sem final escrito. Uma auditora da OmniTerra chega a uma estação de tratamento de água em que todos os funcionários são da resistência, e que manda escondido para Brasília a água que a cidade não tem. As cenas seguem uma ordem frouxa; as duas últimas ficam em aberto, porque é ali que a história de vocês começa.

Panorama para o Mestre

História + Ficção O que está acontecendo de verdade na Estação Descoberto-7.

A Estação Descoberto-7 trata a água do Lago do Descoberto, na divisa entre o território da OmniTerra e o REGEST de Brasília. A represa existe e já quase secou uma vez [7]; a estação, a vila e o data center são ficção.

A REPRESA DO DESCOBERTO · 2126Mapa esquemático da represa do Descoberto. À esquerda, território da OmniTerra com a vila operária; no centro, o lago e a barragem com a Estação Descoberto-7; uma adutora nova leva a água ao data center ao norte, e a adutora velha cruza a divisa rumo a Brasília, à direita. TERRITÓRIO OMNITERRA REGEST DE BRASÍLIA Lago do Descoberto Barragem Estação Descoberto-7 Vila Operária Águas Lindas Núcleo Planalto (data center) Adutora Planalto Adutora Velha (1979) Divisa · Posto 4 Taguatinga → Plano Piloto A REPRESA DO DESCOBERTO · 2126
A represa do Descoberto, na divisa entre o REGEST de Brasília e o território da OmniTerra. Fora de escala.

A situação + contribuir

  • 92% da água tratada vai pela Adutora Planalto para o Núcleo Planalto, o data center da OmniTerra.
  • 6% vão para Brasília pela Adutora Velha, como manda o Contrato Humanitário de 2097.
  • Há três anos, a Célula Concha adultera o Medidor 14 e manda mais 9% para Brasília. Na cidade, essa água vai para os hospitais.

O que a auditora veio fazer + contribuir

A auditora Celeste Prado-Vasconcelos não veio atrás da fraude. Ela veio preparar o fim do contrato: em 30 dias a Adutora Velha será fechada para a Expansão Planalto II, e os funcionários da estação serão realocados para Alcântara, ou demitidos. A auditoria é o inventário de tudo o que a empresa vai mover: canos, bombas, gente e implantes.

O problema é que, se ela olhar com atenção, vai encontrar o Medidor 14.

Como a aventura termina + contribuir

Não termina. As cenas A Notícia e A Válvula ficam em aberto. Em Para onde a história pode ir há caminhos para a mesa seguir.

Fluxo da aventura

Ficção As cenas, a ordem frouxa entre elas e as duas que ficam em aberto.

7 cenas. A aventura de abertura não tem final escrito: as cenas marcadas Em aberto são onde a história de vocês começa a andar sozinha. O build confere que toda cena pode ser alcançada e que todo caminho chega a uma cena em aberto.

Zuleide convoca a célula para preparar a estação.Às 08h00 o carro da OmniTerra para no portão.A Suspeita chega a 3, ou a visita passa pela Adutora Velha.O dia de auditoria termina sem desastre.A calibração passa.A fraude é descoberta, ou a Suspeita chega a 6.Na manhã seguinte, Celeste reúne os funcionários.A Suspeita chega a 6, ou a célula decide agir antes.1. O Turno da Noite2. A Faxina3. A Auditora4. O Medidor 145. Jantar de Faca6. A Notícia7. A Válvula
Cada caixa é uma cena; clique para ir até ela. As caixas vermelhas estão em aberto.

As cenas

  1. 1. O Turno da NoiteDuas mensagens na mesma madrugada: o hospital está sem água e a auditoria chega às oito.
  2. 2. A FaxinaCinco horas para esconder três anos de resistência.
  3. 3. A AuditoraCeleste chega às oito em ponto, com quatro seguranças da Kuro-Tech.
  4. 4. O Medidor 14A auditora quer ver a calibração do único medidor que não pode ser visto.
  5. 5. Jantar de FacaUm jantar de conformidade, com sopa em barra e uma colher que não deveria estar ali.
  6. 6. A Notícia Em abertoO contrato com Brasília termina em 30 dias, e a estação vai ser esvaziada.
  7. 7. A Válvula Em abertoA fraude foi descoberta, ou a célula decidiu agir antes. A estação está cercada.

1. O Turno da Noite

Ficção Duas mensagens na mesma madrugada: o hospital está sem água e a auditoria chega às oito.

Os personagens estão no turno da noite. Duas mensagens chegam com meia hora de diferença.

A primeira: o comunicado + contribuir

Pelo terminal da supervisão chega um comunicado da OmniTerra: uma Auditoria de Rotina de Ativos Hídricos às 08h00 (veja Handout 1: Comunicado interno: auditoria). Não diz quem vem nem por quê.

A segunda: o hospital + contribuir

Lia recebe no rádio do caminhão uma mensagem do Hospital de Base de Brasília, em código: as caixas d'água do hospital têm reserva para um dia (veja Handout 2: Mensagem no rádio do caminhão).

O que fazer + contribuir

Os personagens podem acordar a supervisora, Zuleide Batista, que vai convocar a célula para preparar a estação. E precisam decidir: mandam a água extra para o hospital hoje, com a auditoria chegando, ou esperam?

2. A Faxina

Ficção Cinco horas para esconder três anos de resistência.

Zuleide reúne a célula no refeitório e distribui as tarefas. São cinco horas para que a estação pareça uma estação comum.

TarefaTesteSe falhar
Recolher as colheres de todos os alojamentos e da cozinhaPercepção DV 13Fica uma colher em algum lugar: Suspeita +1 quando for encontrada
Ajustar os registros do Medidor 14 para os últimos 90 diasBurocracia DV 15Os registros não batem com a vazão do lago
Ensaiar as respostas com os 41 funcionáriosPersuasão DV 13Alguém vai gaguejar na entrevista
Apagar as mensagens do rádio de LiaEletrônica/Segurança Técnica DV 13A mensagem do hospital continua lá

3. A Auditora

Ficção Celeste chega às oito em ponto, com quatro seguranças da Kuro-Tech.

Celeste é educada, rápida e atenta. Ela tem um implante de Memória de Conformidade: tudo o que ela vê fica gravado como prova jurídica (veja O catálogo pé no chão). Os quatro seguranças da Kuro-Tech, comandados pelo Sargento Takeda, ficam no pátio.

O roteiro da auditora + contribuir

1. Visita às instalações, com um personagem como guia. 2. Conferência do inventário: bombas, tanques, medidores e os implantes dos funcionários, um por um. 3. Entrevistas curtas com cada setor. 4. À noite, um jantar com a supervisão (veja Jantar de Faca).

Na pasta dela está a carta-objetivo da OmniTerra para o trimestre. Um personagem atento (Percepção DV 15) consegue ler o título de relance.

4. O Medidor 14

Ficção A auditora quer ver a calibração do único medidor que não pode ser visto.

Cedo ou tarde (no máximo quando a Suspeita chegar a 3), Celeste pede para acompanhar a calibração do Medidor 14, o medidor da Adutora Velha.

Como enganá-la + contribuir

  • Trocar a leitura na hora: Tecnologia Básica DV 15, feito por quem está no painel enquanto alguém distrai a auditora.
  • Distrair: Persuasão ou Conversação DV 13 contra a atenção dela. Se falhar, ela olha para o painel no momento errado.
  • Desligar a Memória de Conformidade por alguns minutos: Eletrônica/Segurança Técnica DV 17, com acesso físico ao implante. É um crime grave se descoberto.
  • Contar a verdade a ela: só funciona se os personagens já souberem o segredo de Celeste (veja Jantar de Faca).

5. Jantar de Faca

Ficção Um jantar de conformidade, com sopa em barra e uma colher que não deveria estar ali.

Celeste convida a supervisão para um jantar de conformidade no refeitório da estação, com o cardápio que ela trouxe (veja Handout 4: Cardápio do jantar de conformidade). É um ritual de lealdade: cada um usa os próprios talheres corporativos, e todos observam todos.

Testes de etiqueta + contribuir

Cada personagem à mesa faz um teste de Etiqueta (ou Atuação, para disfarçar) DV 13. Uma falha soma 1 à Suspeita: alguém segurou o garfo como se fosse uma colher.

O segredo de Celeste + contribuir

Celeste nasceu em Taguatinga, no REGEST de Brasília, e entrou na OmniTerra aos dezenove anos com um contrato da Monsoon. A família dela ainda mora lá. No bolso interno do paletó, ela carrega uma colher pequena de alumínio, da avó.

Um personagem pode perceber (Percepção DV 17) ou provocar a revelação (Persuasão ou Interrogatório DV 17, com uma boa abordagem). Se o segredo vier à tona, Celeste vira uma aliada possível, assustada e cara.

6. A Notícia

Ficção Em aberto O contrato com Brasília termina em 30 dias, e a estação vai ser esvaziada.

Ninguém pergunta nada. Em trinta dias, Brasília perde 6% da sua água por contrato e os 9% que a célula mandava por fora. Os funcionários vão para Alcântara, ou, os que tiverem algo a esconder, para a quarentena.

Em aberto + contribuir

A aventura escrita para aqui. A célula tem trinta dias e muitas opções, e nenhuma é limpa. Veja Para onde a história pode ir.

7. A Válvula

Ficção Em aberto A fraude foi descoberta, ou a célula decidiu agir antes. A estação está cercada.

Esta cena acontece se a Suspeita chegar a 6, se a fraude do Medidor 14 for descoberta ou se a célula decidir abrir toda a Adutora Velha de uma vez, com a auditora ainda lá dentro.

A estação tem 41 pessoas da resistência, quatro seguranças da Kuro-Tech armados, uma auditora com uma gravação que pode condenar todo mundo e uma válvula que pode mandar para Brasília, por algumas horas, toda a água do Descoberto.

Sargento Edson Takeda

Comandante da escolta terceirizada, Kuro-Tech

INT5
REF7
DES6
TEC4
FRI7
VON6
SOR4
MOV6
COR7
EMP4

PV 45Grav. Ferido 23T. Morte 7Armadura (PB) Cabeça 11 · Corpo 11

Armas

  • Pistola pesada 3d6 · CdT 2
  • Fuzil de pacificação 5d6 · CdT 1 — Munição de contenção: em vez de dano, o alvo faz um Teste de Morte ou fica atordoado por uma rodada.

Perícias (base) Pistola 13, Armas de Ombro 13, Tática 11, Percepção 10, Briga 11, Liderança 10.

Implantes Chip Biométrico Corporativo (Kuro-Tech), Audição Ampliada (Kuro-Tech).

Notas Esteve com Rui Saldanha em Jibuti, em 2111. Cumpre ordens; quer chegar vivo à aposentadoria.

Segurança terceirizado (×3)

Unidade de pacificação, Kuro-Tech

INT4
REF6
DES5
TEC3
FRI5
VON4
SOR3
MOV5
COR5
EMP4

PV 35Grav. Ferido 18T. Morte 5Armadura (PB) Cabeça 7 · Corpo 11

Armas

  • Bastão de choque 2d6 · CdT 2
  • Pistola média 2d6 · CdT 2

Perícias (base) Pistola 10, Briga 9, Percepção 8.

Implantes Chip Biométrico Corporativo (Kuro-Tech).

Notas Contratados por trimestre. Não ganham para morrer e sabem disso.

Em aberto + contribuir

O que acontece depois é da mesa. A Kuro-Tech manda reforços em quatro horas; a OmniTerra trata a estação como "ativo comprometido". Veja Para onde a história pode ir.

Personagens do Mestre

Ficção A auditora, a supervisora e quem mais está na estação.

Celeste Prado-Vasconcelos + contribuir

Auditora sênior de Conformidade da OmniTerra, 34 anos. Educada, rápida, cansada. Nasceu em Taguatinga e entrou na empresa como terceirizada da Monsoon; subiu sendo a melhor em fazer o que mandam. Carrega uma colher da avó no bolso do paletó e uma gravação de tudo o que vê dentro da cabeça.

O que ela quer: fechar a auditoria sem problemas e não pensar na família em Taguatinga.

Celeste Prado-Vasconcelos

Auditora sênior de Conformidade, OmniTerra

INT8
REF4
DES4
TEC5
FRI7
VON7
SOR5
MOV5
COR4
EMP6

PV 40Grav. Ferido 20T. Morte 4Armadura (PB) Cabeça 0 · Corpo 4

Armas

  • Pistola leve de bolsa 1d6 · CdT 2 — Nunca disparou fora do estande.

Perícias (base) Burocracia 14, Contabilidade 15, Percepção 13, Persuasão 13, Etiqueta 13, Interrogatório 12, Concentração 12.

Implantes Chip Biométrico Corporativo (OmniTerra), Memória de Conformidade (OmniTerra).

Notas Tudo o que ela vê fica gravado na Memória de Conformidade. Leva no bolso do paletó uma colher pequena de alumínio, da avó.

Dona Zuleide Batista + contribuir

Supervisora da Estação Descoberto-7 e líder da Célula Concha, 58 anos. Engenheira hidráulica, avó de cinco netos que moram em Ceilândia. Trocou os 41 funcionários um por um, em três anos, sem que ninguém percebesse. Não acredita em grandes vitórias; acredita em litros.

Dona Zuleide Batista

Supervisora da Estação Descoberto-7 e líder da Célula Concha

INT7
REF3
DES4
TEC7
FRI8
VON8
SOR6
MOV3
COR4
EMP8

PV 40Grav. Ferido 20T. Morte 4Armadura (PB) Cabeça 0 · Corpo 0

Armas

  • Chave de válvula 2d6 · CdT 1

Perícias (base) Tecnologia Básica 13, Liderança 15, Burocracia 13, Enganação 14, Conhecimento Local (Descoberto) 13, Percepção 11.

Implantes Chip Biométrico Corporativo (OmniTerra).

Notas Sabe o nome, o turno e o segredo de cada um dos 41 funcionários. Não acredita em grandes vitórias; acredita em litros.

Sargento Edson Takeda + contribuir

Comandante da unidade terceirizada da Kuro-Tech. Ele e Rui trabalharam juntos como seguranças contratados da Great Rift em 2111, do lado continental de Jibuti. Takeda nunca falou sobre isso com ninguém. A ficha dele está em A Válvula.

Para onde a história pode ir

Ficção Caminhos para os trinta dias seguintes, sem final escrito.

A aventura não tem final. Estes são caminhos que a célula pode tentar, cada um com o seu preço.

  • Vazar a gravação. Se Celeste virar aliada, a Memória de Conformidade dela tem tudo: o plano da Expansão Planalto II, as ordens, os números. Um jornal do REGEST publicaria. A OmniTerra saberia exatamente de onde veio.
  • Sabotar o Núcleo Planalto. Sem água para resfriar, o data center para. Isso para também a telemetria da frota espacial, e a OmniTerra responde como respondeu à Halcyon.
  • Negociar com outra ESTEMP. A Thalassa vende água dessalinizada e adoraria um contrato em Brasília. Trocar uma corporação por outra é uma vitória?
  • Sequestrar a auditora. Ela vale muito para a OmniTerra, e sabe muito.
  • Esvaziar a estação. Levar os 41 para Brasília antes da realocação, com chips, braços e tudo, e virar uma célula nômade.
  • Abrir a válvula. Mandar toda a água de uma vez, por algumas horas. Enche as caixas dos hospitais e entrega a célula inteira.

Fios soltos + contribuir

  • O que Takeda vai fazer com o que sabe sobre Rui.
  • Quem dentro da AntiFaCa vai querer usar a estação para algo maior, e mais sangrento.
  • O que Lia vai descobrir sobre o hospital quando a água parar.