Os vinte REGESTs
História + Ficção O que sobrou de cada um dos vinte maiores países, e por quê.
Os REGESTs são os restos dos governos democráticos. Sobrevivem penhorando o que resta da sua soberania às corporações. Oferecem uma "liberdade econômica e pessoal" precária, no meio da miséria, da falta de infraestrutura e de uma segurança pública falida.
O REGEST fica com o que nenhuma corporação quis comprar. Não há formato fixo: cada país ficou com a parte de si que não dava lucro. Para os vinte maiores países de 2026, foi isto:
| Nº | País | O que sobrou |
|---|
| 1 | Brasil | Distrito Federal (Brasília) |
| 2 | Estados Unidos | Grandes Planícies, sobre o Aquífero Ogallala esgotado |
| 3 | México | Cidade do México, afundando e sem água |
| 4 | Canadá | Escudo Canadense, florestas queimadas |
| 5 | China | Planalto de Loess, terra erodida |
| 6 | Japão | Interior de Tōhoku, vilas vazias |
| 7 | Coreia do Sul | Gangwon, encostada na zona desmilitarizada |
| 8 | Índia | Deserto de Thar |
| 9 | Indonésia | Jacarta Norte, abaixo do nível do mar |
| 10 | Austrália | O interior árido, em volta de Alice Springs |
| 11 | Alemanha | Lusácia, crateras de minas de linhito |
| 12 | Reino Unido | Os Fens, alagados |
| 13 | França | A diagonal do vazio, no Maciço Central |
| 14 | Itália | Basilicata, o interior do sul |
| 15 | Espanha | A Espanha esvaziada, em volta de Soria |
| 16 | Países Baixos | Os pólderes que a Thalassa ainda não alagou |
| 17 | Suíça | Valais, vales sem geleira |
| 18 | Rússia | Calmúquia, estepe virando deserto |
| 19 | Arábia Saudita | A borda do Rub' al-Khali |
| 20 | Turquia | Bacia de Konya, chão afundando sobre o aquífero seco |
Alguns desses lugares já estão em crise hoje: o Aquífero Ogallala vem sendo esvaziado pela irrigação [8], Jacarta afunda [9] e a França tem uma faixa de interior quase vazia [10]. O cenário só deixou a tendência continuar.
Porque é útil que existam. Um REGEST é o lugar para onde os demitidos vão, o mercado onde as corporações vendem o que sobra, e a prova de que a alternativa às empresas é pior.
O REGEST de Brasília
História + Ficção Uma capital sem país, que depende da água de uma represa que não é mais dela.
Do Brasil, sobrou o Distrito Federal. Quando a OmniTerra comprou o país depois da Primeira Guerra Corporativa, o DF ficou de fora: era sede de governo, longe do litoral, sem porto nem indústria pesada. Ninguém quis comprá-lo.
Brasília ainda tem ministérios, um Congresso, embaixadas de outros REGESTs e quatro milhões de pessoas. Tem também um problema: a água.
O Distrito Federal sempre dependeu da represa do Descoberto, na divisa com Goiás. Já em 2017 e 2018 ela quase secou, e a cidade passou cerca de um ano e meio sob racionamento [6] [7]. Em 2097, endividado, o REGEST vendeu à OmniTerra a faixa de terra da represa. Em troca, ganhou o Contrato Humanitário de 2097, que garante a Brasília uma cota de água pela Adutora Velha.
A cota foi diminuindo a cada renovação. Hoje a maior parte do Descoberto vai para o Núcleo Planalto, um data center da OmniTerra que processa a telemetria da frota de mineração espacial. A cidade vive em racionamento permanente.
- O Plano Piloto continua de pé, com os prédios públicos rachados e os gramados secos.
- As cidades em volta (Taguatinga, Ceilândia, Samambaia) vivem de caminhão-pipa.
- O Posto 4, na divisa com a OmniTerra, é a fronteira mais movimentada do Centro-Oeste.
Brasília é o cenário da aventura de abertura, Auditoria no Descoberto.
A vida num REGEST
Ficção Liberdade, miséria e o comércio que só os nômades fazem.
Num REGEST ninguém é realocado nem demitido, porque quase ninguém é contratado. Há eleições, imprensa que pode falar mal de uma corporação, igrejas, sindicatos e colheres nas gavetas. Não há água encanada todos os dias, remédio, emprego nem polícia que venha quando chamada.
As leis dos ESTEMPs não protegem quem está fora deles. Por isso transportar carga para dentro de um REGEST é arriscado, e quem faz isso cobra caro. Os nômades dominam esse comércio.
- Os que sempre viveram. Famílias que nunca trabalharam para uma corporação.
- Os demitidos. Bloqueados pela quarentena, é para cá que eles vêm.
- Os que voltaram. Gente que largou um ESTEMP de propósito. São poucos, e as corporações adoram mostrá-los nos noticiários, magros e arrependidos.