O mundo não acabou num apocalipse nuclear repentino. Ele foi comprado à prestação.
Este capítulo apresenta o cenário, o tom e a forma de usar o livro. Ele é para todo mundo na mesa, e não só para quem mestra.
O que é este livro
FicçãoUm mundo inteiro em 2126 e o começo de uma aventura, para Cyberpunk RED.
O Amanhã Corporativo é um cenário de cyberpunk de futuro próximo para Cyberpunk RED. Ele se passa em 2126, cem anos depois de hoje, num planeta dividido entre os ESTEMPs (Estados Empresariais), corporações tão grandes que viraram países soberanos, e os REGESTs (Regimes Estatais), o que sobrou dos governos tradicionais.
O livro tem duas partes:
O mundo (capítulos II a VIII): a linha do tempo de 2026 a 2126, o mapa do mundo, cada ESTEMP e cada REGEST, a vida de quem trabalha para uma corporação, o tabu da colher, a resistência e as regras.
O começo de uma aventura (capítulos IX e X): quatro personagens prontos e Auditoria no Descoberto, uma abertura de campanha na represa que abastece Brasília. Ela não tem final escrito: termina em duas cenas em aberto, para cada mesa seguir do seu jeito.
O livro básico de Cyberpunk RED, da R. Talsorian Games. Aqui está só o que muda (capítulo VIII).
De três a cinco jogadores e uma pessoa para mestrar.
Disposição para histórias em que ninguém vence de forma limpa.
O tom: cyberpunk pé no chão
FicçãoBurocracia letal, escassez e perda de soberania, sem neon mágico.
Aqui o cyberpunk é pé no chão. Não existem download de consciência, cidades flutuantes nem realidade virtual imersiva. A tecnologia é industrial, burocrática e voltada para duas coisas: otimizar lucro e controlar gente.
Os implantes existem, mas são caros, burocráticos e cobram um preço do corpo. Quase sempre pertencem legalmente à empresa que pagou por eles: a pessoa carrega o braço, a empresa tem a escritura (veja O implante é seu, a posse é da empresa).
O perigo do mundo não está num hacker místico, e sim num formulário. Ninguém aqui é morto por uma inteligência artificial rebelde; as pessoas são realocadas, bloqueadas, demitidas, e às vezes demitidas segundos antes de morrer (veja A Grande Demissão do Triângulo de Jibuti).
Os capítulos I a IX são conhecimento comum dentro do mundo: qualquer colaborador sabe o que é a quarentena, qualquer pessoa já viu uma propaganda do Sonho das Colônias. As caixas Nota do Mestre e o capítulo X são só para quem mestra.
O cenário trata de assassinato em massa tratado como procedimento, de trabalho forçado, de pessoas descartadas e de vitórias que custam inocentes (veja A moralidade cinza). Antes da primeira sessão, conversem sobre o que fica fora da mesa e o que pode acontecer só fora de cena. Ferramentas simples, como Linhas e Véus ou um cartão X, resolvem a maior parte dos casos.
Fato e ficção
História + FicçãoOs lugares e precedentes reais em que o cenário se apoia.
O futuro é inventado, mas o chão dele é real. Cada fato do mundo de hoje usado no livro tem uma citação numerada; o resto está marcado como Ficção.
Empresas já tiveram exército e território. A Companhia Britânica das Índias Orientais manteve exércitos próprios e governou grande parte do subcontinente indiano [1]. Os ESTEMPs não inventaram nada.
O Triângulo de Afar fica abaixo do nível do mar. O Lago Assal, em Jibuti, está 155 metros abaixo do nível do mar e é o ponto mais baixo da África [4]. Na ficção, isso permitiu afundar a região abrindo um canal.
Alcântara é uma das melhores bases de lançamento do mundo, porque fica mais perto da linha do Equador do que qualquer outra [3]. Na ficção, é o prêmio da Primeira Guerra Corporativa.
A represa do Descoberto já quase secou. O Distrito Federal viveu cerca de um ano e meio de racionamento de água entre 2017 e 2018 [6], com o Descoberto no menor nível da história [7]. A aventura parte daí.
O Aquífero Ogallala está sendo esvaziado pela irrigação desde a metade do século XX [8]. Jacarta afunda, e a Indonésia decidiu mudar a capital de lugar [9]. A França tem uma faixa de interior quase vazia[10]. Esses lugares viraram REGESTs (veja Os vinte REGESTs).
A mineração de asteroides é estudada há décadas como fonte de metais fora da Terra [2].