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Capítulo III

O Tabuleiro

Cada cor do mapa tem um dono, e o mar também.

O mapa do mundo em 2126 e os Estados Empresariais que o dividem: as cinco grandes e as menores que fecham os espaços. Cada ESTEMP tem o seu próprio pecado. Nenhuma delas é a vilã principal, porque todas são vilãs.

O mapa do mundo

Ficção O tabuleiro em 2126: quem é dono de cada pedaço, e quantas peças tem.

O tabuleiro do mundo, 2126 Mapa-múndi em pixel art. Cada cor é um Estado Empresarial (ESTEMP); o mar pertence à Thalassa Corp. Os quadradinhos numerados são os vinte REGESTs; uma caveira marca o Triângulo de Jibuti alagado e um foguete marca Alcântara. Rumo à órbita · Primeiro Asteroide, 2046 1 · Brasil — Distrito Federal (Brasília) 1 2 · Estados Unidos — Grandes Planícies, sobre o Aquífero Ogallala esgotado 2 3 · México — Cidade do México, afundando e sem água 3 4 · Canadá — Escudo Canadense, florestas queimadas 4 5 · China — Planalto de Loess, terra erodida 5 6 · Japão — Interior de Tōhoku, vilas vazias 6 7 · Coreia do Sul — Gangwon, encostada na zona desmilitarizada 7 8 · Índia — Deserto de Thar 8 9 · Indonésia — Jacarta Norte, abaixo do nível do mar 9 10 · Austrália — O interior árido, em volta de Alice Springs 10 11 · Alemanha — Lusácia, crateras de minas de linhito 12 · Reino Unido — Os Fens, alagados 13 · França — A diagonal do vazio, no Maciço Central 14 · Itália — Basilicata, o interior do sul 15 · Espanha — A Espanha esvaziada, em volta de Soria 16 · Países Baixos — Os pólderes que a Thalassa ainda não alagou 17 · Suíça — Valais, vales sem geleira 18 · Rússia — Calmúquia, estepe virando deserto 18 19 · Arábia Saudita — A borda do Rub' al-Khali 19 20 · Turquia — Bacia de Konya, chão afundando sobre o aquífero seco 20 EUROPA OCIDENTAL ×2 11 · Alemanha — Lusácia, crateras de minas de linhito 11 12 · Reino Unido — Os Fens, alagados 12 13 · França — A diagonal do vazio, no Maciço Central 13 14 · Itália — Basilicata, o interior do sul 14 15 · Espanha — A Espanha esvaziada, em volta de Soria 15 16 · Países Baixos — Os pólderes que a Thalassa ainda não alagou 16 17 · Suíça — Valais, vales sem geleira 17 Golfo da Demissão (2111) Alcântara · 1ª Guerra Corporativa OmniTerra 38 Kuro-Tech 31 Aegis-Med 24 Petro-Vanguard 22 Severa Combine 12 Monsoon Workforce 18 Great Rift Holdings 14 Sahel Solar Trust 10 Thalassa Corp 30 O TABULEIRO · 2126
Cada cor é um Estado Empresarial. O mar é da Thalassa Corp, e as peças vermelhas dela estão em todos os oceanos. Os quadradinhos numerados são os REGESTs (a Europa Ocidental aparece ampliada no canto). Passe o mouse num REGEST para ver o nome. No celular, arraste o mapa para o lado. Abrir o mapa em tela cheia →

Cinco conglomerados dominam o planeta e funcionam como monarquias de acionistas. Em volta deles, Estados Empresariais menores fecham os espaços que sobraram. O mar inteiro é de uma única empresa.

ESTEMPTerritórioPeças no tabuleiro
OmniTerraUma das cinco grandesAs Américas38
Kuro-TechUma das cinco grandesÁsia-Pacífico31
Aegis-MedUma das cinco grandesEuropa e África mediterrânea24
Petro-VanguardUma das cinco grandesOriente Médio e Ásia Central22
Severa CombineEstado Empresarial menorRússia e o Ártico12
Monsoon WorkforceEstado Empresarial menorSul da Ásia18
Great Rift HoldingsEstado Empresarial menorÁfrica Oriental, Central e Austral14
Sahel Solar TrustEstado Empresarial menorÁfrica Ocidental e o Saara10
Thalassa CorpUma das cinco grandesTodos os oceanos30

As peças no mapa são uma piada com fundo de verdade: elas mostram, mais ou menos, quanta segurança privada cada ESTEMP mantém em seu território. As fronteiras entre ESTEMPs não são guerras abertas; são tratados comerciais, pedágios, quarentenas e, de vez em quando, uma sabotagem.

OmniTerra

Ficção As Américas: logística, extração, agricultura sintética e o espaço.

Território: as Américas, do Alasca à Terra do Fogo, mais a Groenlândia. Sede: Chicago. Base espacial: Alcântara.

A OmniTerra é a maior empresa do mundo e a primeira a virar país. Ela move cargas, arranca minério, planta comida sintética em escala continental e, desde o Primeiro Asteroide, minera o espaço.

Como é viver lá + contribuir

É famosa pela rigidez na realocação de mão de obra: ninguém tem carreira fixa, e um contador pode amanhecer como operador de colheitadeira a três mil quilômetros de casa. Em compensação, a propaganda é a mais otimista do planeta.

O pecado + contribuir

Começou a Primeira Guerra Corporativa e mente sobre as colônias. O slogan dela, Trabalhe pelo Sonho das Colônias, promete um paraíso no espaço que não existe e não vai existir (veja O Sonho das Colônias).

Kuro-Tech

Ficção Ásia-Pacífico: cabos, chips, biotecnologia utilitária e armas de pacificação.

Território: Ásia Oriental, Sudeste Asiático e Oceania. Sede: Osaka.

A Kuro-Tech fabrica o chão da tecnologia: cabos, chips, implantes industriais, biotecnologia de uso prático. Nada é bonito, tudo funciona. Ela também fabrica armamentos de pacificação interna: bastões, munição de contenção, gás, veículos antimotim.

Segurança como serviço + contribuir

A Kuro-Tech aluga seguranças para outras corporações. Um ESTEMP que não quer manter uma tropa contrata uma unidade Kuro-Tech por trimestre, com uniforme cinza e a logomarca preta no ombro. Eles aparecem em Auditoria no Descoberto.

O pecado + contribuir

Vendeu armas para os dois lados da Primeira Guerra Corporativa e lucrou com cada morte. Até hoje, toda guerra entre empresas é um bom trimestre para a Kuro-Tech.

Aegis-Med

Ficção Europa e África mediterrânea: remédios, seguros de vida e a ilusão de bem-estar.

Território: Europa e a costa mediterrânea da África. Sede: Basileia.

A Aegis-Med é um império farmacêutico e de seguros. Ela vende a sensação de estar cuidado: planos de saúde corporativos, aplicativos de humor, campanhas de bem-estar e, para quem pode pagar, longevidade.

O pecado: a Tolerina + contribuir

Quase todo implante do mundo precisa de um remédio antirrejeição para não ser atacado pelo corpo. A Aegis-Med tem a patente do mais usado, a Tolerina, e vende para todas as outras corporações. O preço é calibrado para caber no salário de um colaborador. Quem é demitido perde o plano de saúde, e com ele a Tolerina (veja O implante é seu, a posse é da empresa).

Petro-Vanguard

Ficção Oriente Médio e Ásia Central: combustíveis sintéticos e contenção de crises.

Território: Oriente Médio, Anatólia, Cáucaso e Ásia Central. Sede: Doha.

A Petro-Vanguard controla os combustíveis sintéticos que ainda movem navios, aviões e foguetes. É pioneira nas políticas mais duras de contenção de crises: quando algo dá errado num território, ela isola, cerca e espera.

O pecado + contribuir

Participou da Grande Demissão envenenando a costa árabe do estreito de Bab-el-Mandeb. Os manuais de contenção dela são usados por outras ESTEMPs até hoje.

Thalassa Corp

Ficção Os oceanos: rotas, pesca automatizada e dessalinização. Cada centímetro de mar novo é dela.

Território: todas as águas internacionais do planeta. Sede: uma plataforma no Atlântico Norte, que muda de lugar.

A Thalassa é dona das rotas marítimas, das plataformas de pesca automatizada e das usinas de dessalinização. Num mundo com sede, isso faz dela a fornecedora de água de metade das costas do planeta.

A regra do mar + contribuir

Pelo direito corporativo, a água salgada é da Thalassa. Quando o mar sobe, o território dela cresce. As peças vermelhas dela estão em todos os oceanos do mapa.

O pecado + contribuir

Afundou o Triângulo de Jibuti em 2111 (veja A Grande Demissão do Triângulo de Jibuti). Nos Países Baixos, os pólderes que restam ao REGEST holandês vivem com medo de serem os próximos.

Severa Combine

Ficção Rússia e o Ártico: o degelo como negócio.

Território: a Rússia e o litoral ártico. Sede: Murmansk.

A Severa vive do degelo: rotas marítimas abertas no Ártico, minérios que o permafrost escondia, gás. Ela disputa com a Thalassa uma pergunta jurídica sem resposta: o gelo que derrete é terra ou é mar?

O pecado + contribuir

Usa trabalho de demitidos em quarentena nas minas do norte, com contratos que eles assinam porque não há outro lugar que os aceite.

Monsoon Workforce Solutions

Ficção Sul da Ásia: o maior mercado legal de aluguel de gente.

Território: o subcontinente indiano. Sede: Mumbai.

A Monsoon não fabrica nada: ela aluga colaboradores. Turnos de atendimento, contabilidade, triagem de dados, enfermagem, obras: qualquer ESTEMP pode contratar um lote de trabalhadores da Monsoon por trimestre.

A brecha + contribuir

A quarentena impede que um demitido seja contratado por outra corporação. Mas um trabalhador cedido pela Monsoon nunca é contratado por ninguém: ele continua sendo da Monsoon. É a brecha mais usada do mundo, e a Monsoon cobra por ela.

Great Rift Holdings

Ficção África Oriental, Central e Austral: geotermia, cobalto e lítio.

Território: do Chifre da África ao Cabo, incluindo a bacia do Congo. Sede: Nairóbi.

A Great Rift vende energia geotérmica do Vale do Rift e os minérios das baterias do mundo: cobalto, lítio, cobre.

O pecado + contribuir

Na Grande Demissão, terraplanou e envenenou o lado continental do Triângulo de Afar para conter a crise. Os moradores eram colaboradores dela.

Sahel Solar Trust

Ficção África Ocidental e o Saara: o sol vendido por cabo para a Europa.

Território: o Saara e a África Ocidental. Sede: Dakar.

A Sahel Solar cobre o deserto de painéis e vende a energia por cabos submarinos para a Aegis-Med. É a ESTEMP mais nova e a que mais cresce.

O pecado + contribuir

Os painéis precisam de água para ser limpos, e a água do Sahel é pouca. Poços inteiros foram cercados, e rotas de pastoreio de séculos agora terminam numa cerca com a logomarca do sol.