O mapa do mundo em 2126 e os Estados Empresariais que o dividem: as cinco grandes e as menores que fecham os espaços. Cada ESTEMP tem o seu próprio pecado. Nenhuma delas é a vilã principal, porque todas são vilãs.
O mapa do mundo
FicçãoO tabuleiro em 2126: quem é dono de cada pedaço, e quantas peças tem.
Cada cor é um Estado Empresarial. O mar é da Thalassa Corp, e as peças vermelhas dela estão em todos os oceanos. Os quadradinhos numerados são os REGESTs (a Europa Ocidental aparece ampliada no canto). Passe o mouse num REGEST para ver o nome. No celular, arraste o mapa para o lado. Abrir o mapa em tela cheia →
Cinco conglomerados dominam o planeta e funcionam como monarquias de acionistas. Em volta deles, Estados Empresariais menores fecham os espaços que sobraram. O mar inteiro é de uma única empresa.
As peças no mapa são uma piada com fundo de verdade: elas mostram, mais ou menos, quanta segurança privada cada ESTEMP mantém em seu território. As fronteiras entre ESTEMPs não são guerras abertas; são tratados comerciais, pedágios, quarentenas e, de vez em quando, uma sabotagem.
OmniTerra
FicçãoAs Américas: logística, extração, agricultura sintética e o espaço.
Território: as Américas, do Alasca à Terra do Fogo, mais a Groenlândia. Sede: Chicago. Base espacial: Alcântara.
A OmniTerra é a maior empresa do mundo e a primeira a virar país. Ela move cargas, arranca minério, planta comida sintética em escala continental e, desde o Primeiro Asteroide, minera o espaço.
É famosa pela rigidez na realocação de mão de obra: ninguém tem carreira fixa, e um contador pode amanhecer como operador de colheitadeira a três mil quilômetros de casa. Em compensação, a propaganda é a mais otimista do planeta.
Começou a Primeira Guerra Corporativa e mente sobre as colônias. O slogan dela, Trabalhe pelo Sonho das Colônias, promete um paraíso no espaço que não existe e não vai existir (veja O Sonho das Colônias).
Kuro-Tech
FicçãoÁsia-Pacífico: cabos, chips, biotecnologia utilitária e armas de pacificação.
Território: Ásia Oriental, Sudeste Asiático e Oceania. Sede: Osaka.
A Kuro-Tech fabrica o chão da tecnologia: cabos, chips, implantes industriais, biotecnologia de uso prático. Nada é bonito, tudo funciona. Ela também fabrica armamentos de pacificação interna: bastões, munição de contenção, gás, veículos antimotim.
A Kuro-Tech aluga seguranças para outras corporações. Um ESTEMP que não quer manter uma tropa contrata uma unidade Kuro-Tech por trimestre, com uniforme cinza e a logomarca preta no ombro. Eles aparecem em Auditoria no Descoberto.
Vendeu armas para os dois lados da Primeira Guerra Corporativa e lucrou com cada morte. Até hoje, toda guerra entre empresas é um bom trimestre para a Kuro-Tech.
Aegis-Med
FicçãoEuropa e África mediterrânea: remédios, seguros de vida e a ilusão de bem-estar.
Território: Europa e a costa mediterrânea da África. Sede: Basileia.
A Aegis-Med é um império farmacêutico e de seguros. Ela vende a sensação de estar cuidado: planos de saúde corporativos, aplicativos de humor, campanhas de bem-estar e, para quem pode pagar, longevidade.
Quase todo implante do mundo precisa de um remédio antirrejeição para não ser atacado pelo corpo. A Aegis-Med tem a patente do mais usado, a Tolerina, e vende para todas as outras corporações. O preço é calibrado para caber no salário de um colaborador. Quem é demitido perde o plano de saúde, e com ele a Tolerina (veja O implante é seu, a posse é da empresa).
Petro-Vanguard
FicçãoOriente Médio e Ásia Central: combustíveis sintéticos e contenção de crises.
Território: Oriente Médio, Anatólia, Cáucaso e Ásia Central. Sede: Doha.
A Petro-Vanguard controla os combustíveis sintéticos que ainda movem navios, aviões e foguetes. É pioneira nas políticas mais duras de contenção de crises: quando algo dá errado num território, ela isola, cerca e espera.
Participou da Grande Demissão envenenando a costa árabe do estreito de Bab-el-Mandeb. Os manuais de contenção dela são usados por outras ESTEMPs até hoje.
Thalassa Corp
FicçãoOs oceanos: rotas, pesca automatizada e dessalinização. Cada centímetro de mar novo é dela.
Território: todas as águas internacionais do planeta. Sede: uma plataforma no Atlântico Norte, que muda de lugar.
A Thalassa é dona das rotas marítimas, das plataformas de pesca automatizada e das usinas de dessalinização. Num mundo com sede, isso faz dela a fornecedora de água de metade das costas do planeta.
Pelo direito corporativo, a água salgada é da Thalassa. Quando o mar sobe, o território dela cresce. As peças vermelhas dela estão em todos os oceanos do mapa.
Afundou o Triângulo de Jibuti em 2111 (veja A Grande Demissão do Triângulo de Jibuti). Nos Países Baixos, os pólderes que restam ao REGEST holandês vivem com medo de serem os próximos.
Severa Combine
FicçãoRússia e o Ártico: o degelo como negócio.
Território: a Rússia e o litoral ártico. Sede: Murmansk.
A Severa vive do degelo: rotas marítimas abertas no Ártico, minérios que o permafrost escondia, gás. Ela disputa com a Thalassa uma pergunta jurídica sem resposta: o gelo que derrete é terra ou é mar?
Usa trabalho de demitidos em quarentena nas minas do norte, com contratos que eles assinam porque não há outro lugar que os aceite.
Monsoon Workforce Solutions
FicçãoSul da Ásia: o maior mercado legal de aluguel de gente.
Território: o subcontinente indiano. Sede: Mumbai.
A Monsoon não fabrica nada: ela aluga colaboradores. Turnos de atendimento, contabilidade, triagem de dados, enfermagem, obras: qualquer ESTEMP pode contratar um lote de trabalhadores da Monsoon por trimestre.
A quarentena impede que um demitido seja contratado por outra corporação. Mas um trabalhador cedido pela Monsoon nunca é contratado por ninguém: ele continua sendo da Monsoon. É a brecha mais usada do mundo, e a Monsoon cobra por ela.
Great Rift Holdings
FicçãoÁfrica Oriental, Central e Austral: geotermia, cobalto e lítio.
Território: do Chifre da África ao Cabo, incluindo a bacia do Congo. Sede: Nairóbi.
A Great Rift vende energia geotérmica do Vale do Rift e os minérios das baterias do mundo: cobalto, lítio, cobre.
Os painéis precisam de água para ser limpos, e a água do Sahel é pouca. Poços inteiros foram cercados, e rotas de pastoreio de séculos agora terminam numa cerca com a logomarca do sol.