A resistência não vai derrubar o sistema, e sabe disso. Ela ataca os flancos, expõe podridões e arranca recursos das garras das corporações. Este capítulo explica como ela se organiza e dá os ganchos para começar uma campanha.
A AntiFaCa
FicçãoUma rede de células sem centro, que sabe que não vai derrubar o sistema.
A AntiFaCa (Anti-Fasci-Capitalistas) não tem quartel-general, líder nem programa único. É uma rede de células que se reconhecem por códigos e cooperam quando convém. O símbolo é a colher; a senha é "pedir uma sopa".
Não derrubar o sistema global de uma vez, o que é impossível. A AntiFaCa ataca os flancos: expõe podridões, arranca recursos das corporações e passa para os REGESTs, e provoca efeitos dominó.
Nem toda célula concorda com as outras. Há quem aceite matar inocentes por uma vitória grande e quem se recuse; há quem queira negociar com uma ESTEMP contra outra. Essas brigas internas são uma boa fonte de histórias.
Os nômades
FicçãoFrete para onde a lei não protege ninguém.
Os rebeldes nômades vivem de frete e transporte comercial para os REGESTs. Como as leis dos ESTEMPs não protegem quem está fora deles, levar carga para um REGEST é perigoso, e quem faz isso tem uma mercadoria valiosa: a disposição de ir.
Os comboios carregam remédio, peças, comida, água, gente e, escondidas no meio, as coisas que a resistência precisa mover. Muitos nômades são demitidos em quarentena; outros nunca tiveram chip.
Na aventura de abertura, Lia Matsumoto-Freitas dirige o caminhão-pipa que cruza o Posto 4 entre a estação e Brasília.
Infiltração profunda
FicçãoAs células mais perigosas estão dentro das empresas, e vivem com medo do auditor.
As células mais perigosas da resistência não se escondem em cavernas: estão dentro dos próprios ESTEMPs. Subdivisões inteiras, como uma usina isolada de tratamento de água, podem ser formadas só por infiltrados.
Elas vivem sob a tensão constante de serem descobertas. O maior inimigo de uma célula infiltrada não é um soldado: é um auditor, alguém que confere planilhas, conta peças e faz perguntas educadas.
Para forçar uma megacorporação a ceder um recurso vital (por exemplo, a água limpa de um data center) a um REGEST sem estourar uma guerra aberta, os personagens vão precisar de chantagem pesada, mentiras, sabotagens calculadas e, às vezes, sacrificar inocentes ou trair aliados.
O cenário não pede que os jogadores façam isso. Pede que a escolha exista e pese. Uma vitória da AntiFaCa quase sempre custa alguma coisa a alguém que não pediu para entrar na história.
Ganchos de partida
FicçãoTrês começos de campanha, além da aventura deste livro.
Todos os funcionários de uma subdivisão são demitidos injustamente de uma vez. Proibidos pela quarentena de trabalhar em qualquer outro lugar, eles não têm nada a perder e decidem tocar fogo no sistema que os jogou fora.
Uma célula precisa capturar um executivo-astro para arrancar dele senhas ou provas sobre Jibuti. O executivo tem fãs, seguranças da Kuro-Tech e um implante de memória que pode ser a prova, ou a armadilha.
Os personagens sobreviveram a uma tentativa de fuga frustrada de um ESTEMP e foram acolhidos por uma célula nômade. Agora devem um favor, e não sabem a quem.