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Capítulo VII

A AntiFaCa

— Vai uma sopa? — Se tiver colher.

A resistência não vai derrubar o sistema, e sabe disso. Ela ataca os flancos, expõe podridões e arranca recursos das garras das corporações. Este capítulo explica como ela se organiza e dá os ganchos para começar uma campanha.

A AntiFaCa

Ficção Uma rede de células sem centro, que sabe que não vai derrubar o sistema.

A AntiFaCa (Anti-Fasci-Capitalistas) não tem quartel-general, líder nem programa único. É uma rede de células que se reconhecem por códigos e cooperam quando convém. O símbolo é a colher; a senha é "pedir uma sopa".

O que ela quer + contribuir

Não derrubar o sistema global de uma vez, o que é impossível. A AntiFaCa ataca os flancos: expõe podridões, arranca recursos das corporações e passa para os REGESTs, e provoca efeitos dominó.

Como se organiza + contribuir

  • Células nômades, que vivem nas brechas do mundo (veja Os nômades).
  • Células infiltradas, que vivem dentro dos ESTEMPs (veja Infiltração profunda).
  • Contatos nos REGESTs: hospitais, sindicatos, jornais e igrejas que recebem o que a rede consegue tirar.

As divergências + contribuir

Nem toda célula concorda com as outras. Há quem aceite matar inocentes por uma vitória grande e quem se recuse; há quem queira negociar com uma ESTEMP contra outra. Essas brigas internas são uma boa fonte de histórias.

Os nômades

Ficção Frete para onde a lei não protege ninguém.

Os rebeldes nômades vivem de frete e transporte comercial para os REGESTs. Como as leis dos ESTEMPs não protegem quem está fora deles, levar carga para um REGEST é perigoso, e quem faz isso tem uma mercadoria valiosa: a disposição de ir.

Os comboios carregam remédio, peças, comida, água, gente e, escondidas no meio, as coisas que a resistência precisa mover. Muitos nômades são demitidos em quarentena; outros nunca tiveram chip.

Na aventura de abertura, Lia Matsumoto-Freitas dirige o caminhão-pipa que cruza o Posto 4 entre a estação e Brasília.

Infiltração profunda

Ficção As células mais perigosas estão dentro das empresas, e vivem com medo do auditor.

As células mais perigosas da resistência não se escondem em cavernas: estão dentro dos próprios ESTEMPs. Subdivisões inteiras, como uma usina isolada de tratamento de água, podem ser formadas só por infiltrados.

Elas vivem sob a tensão constante de serem descobertas. O maior inimigo de uma célula infiltrada não é um soldado: é um auditor, alguém que confere planilhas, conta peças e faz perguntas educadas.

É exatamente essa a situação da aventura de abertura: Auditoria no Descoberto.

A moralidade cinza

Ficção As vitórias nunca são limpas.

Para forçar uma megacorporação a ceder um recurso vital (por exemplo, a água limpa de um data center) a um REGEST sem estourar uma guerra aberta, os personagens vão precisar de chantagem pesada, mentiras, sabotagens calculadas e, às vezes, sacrificar inocentes ou trair aliados.

O cenário não pede que os jogadores façam isso. Pede que a escolha exista e pese. Uma vitória da AntiFaCa quase sempre custa alguma coisa a alguém que não pediu para entrar na história.

Ganchos de partida

Ficção Três começos de campanha, além da aventura deste livro.

O Foda-se Coletivo + contribuir

Todos os funcionários de uma subdivisão são demitidos injustamente de uma vez. Proibidos pela quarentena de trabalhar em qualquer outro lugar, eles não têm nada a perder e decidem tocar fogo no sistema que os jogou fora.

O Sequestro Encomendado + contribuir

Uma célula precisa capturar um executivo-astro para arrancar dele senhas ou provas sobre Jibuti. O executivo tem fãs, seguranças da Kuro-Tech e um implante de memória que pode ser a prova, ou a armadilha.

A Fuga Resgatada + contribuir

Os personagens sobreviveram a uma tentativa de fuga frustrada de um ESTEMP e foram acolhidos por uma célula nômade. Agora devem um favor, e não sabem a quem.

Auditoria no Descoberto + contribuir

A aventura deste livro: Panorama para o Mestre.