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Capítulo V

A Investigação

Ninguém de fora no Festival. Essa foi a regra, por cem anos.

Sete cenas, da primeira noite no nevoeiro até a câmara de cristal sob a Grota Funda. Elas não são um corredor: depois da chegada, os investigadores podem seguir em quase qualquer ordem, e cada cena diz para onde leva e o que abre o caminho. O texto em destaque é para ser lido em voz alta. Os testes indicam o investigador mais bem posicionado para fazê-los, mas qualquer um pode tentar.

1. Chegada ao Alto da Serra

História + Ficção Uma noite de inverno, o último trem, uma vila preparando um festival de que ninguém de fora ouviu falar.

O que há aqui + contribuir

A estação do Alto da Serra e sua torre do relógio britânica, a praça em frente e as ladeiras de casas de madeira descendo até o pátio. A vila prepara o Festival de Inverno, para o qual nenhum forasteiro foi convidado em cem anos. Um policial na estação anota o nome de todo mundo que desce do trem. Os investigadores se hospedam na Pensão da Dona Ercília (veja Reunindo o Grupo).

Pistas + contribuir

  • Encontrar. Linhas de sal em todas as soleiras, inclusive na da pensão. Recentes, não antigas.
  • Psicologia nos moradores: eles não são hostis. Têm medo pelos forasteiros.
  • Persuasão ou Charme com Dona Ercília: "Vocês deviam ter vindo no mês que vem. Ou nunca. O festival é nosso." Ela não diz nada sobre o sal.
  • Escutar, do lado de fora depois de escurecer: alguém no nevoeiro chama um investigador pelo primeiro nome. Não há ninguém.

A primeira noite + contribuir

É o primeiro teste de Contato do cenário: cada investigador que sai depois do anoitecer testa POD (veja Contato com a Névoa). No quarto, Lenita relê a carta do irmão (Handout 1: A última carta de Tonico).

2. O Pátio Ferroviário

História + Ficção A auditoria de Dudu: livros-caixa cheios de "água de lastro" e um vagão-tanque com marcas de maré por dentro.

O que há aqui + contribuir

O escritório do pátio, onde Dudu tem hora marcada com o escriturário da seção; a rotunda; o vagão-tanque abandonado do Vagão da Companhia; uma pilha de barris lacrados atrás do galpão. O capataz, Moacir, um cultista, vigia os investigadores a manhã toda e não faz questão de esconder.

Pistas + contribuir

  • Contabilidade (Dudu). A linha "água de lastro" custou à ferrovia mais do que o carvão, todos os anos desde 1946. Nenhum auditor jamais a questionou. A ordem da RFFSA suspendendo o serviço está pregada acima da mesa do escriturário: Handout 2: A ordem da RFFSA.
  • Encontrar. Dentro do tanque: manchas de ferrugem em anéis, como marcas de maré num píer. Atrás do galpão: barris pintados com "LIMALHA — 4º PATAMAR".
  • Ciência (Geologia) no sedimento do fundo do tanque: granito britado, limalha de ferro e um pó violeta que só pode ser ametista. Ametista não pertence a esta serra [11].
  • Consertos Mecânicos. Canos de drenagem saem do desvio do tanque e sobem a serra, ao longo do plano inclinado, rumo ao Quarto Patamar.

Complicações + contribuir

Se os investigadores ficarem por ali à noite, Moacir e dois cultistas passam salmoura dos barris para baldes e sobem a serra carregando à mão. Segui-los leva ao Quarto Patamar.

3. O Festival de Inverno

História + Ficção Fogueiras no nevoeiro, sal nos bueiros, nomes lidos em voz alta e um velho maquinista que se lembra.

O que há aqui + contribuir

A festa particular das famílias ferroviárias, na véspera do rito (veja O Festival de Inverno). A maioria dos moradores é calorosa com os forasteiros quando eles têm uma caneca na mão. Seu Ditinho (Seu Ditinho), que dirigiu locobreques por cinquenta anos, está sentado na fogueira maior e conversa com quem quiser ouvir.

Pistas + contribuir

  • Persuasão ou Charme com Seu Ditinho: "As máquinas puxavam mais pesado na subida do que a balança dizia. Sempre um vagão a mais. Um vagão que nunca estava no horário."
  • História (Folclore Local) (Lenita). Não existe registro deste festival em lugar nenhum: nem nos jornais, nem nos boletins da própria ferrovia.
  • Encontrar. Os bueiros não estão sendo limpos. Estão sendo salgados.
  • Escutar, à meia-noite: todos os lampiões da vila se apagam ao mesmo tempo, e no silêncio o nevoeiro respira. Todos os presentes fazem um teste de Contato.

Os nomes + contribuir

No fim da noite, o engenheiro-chefe lê, nos degraus do Castelinho, os nomes dos mortos e desaparecidos do ano. Um deles é Antônio Castro. Lenita perde 0/1D3 SAN.

Desdobramentos + contribuir

O engenheiro-chefe repara nos forasteiros. Antes de a noite acabar, um menino leva um cartão dobrado até a pensão: um convite para jantar no Castelinho, amanhã, para "os senhores da RFFSA e da imprensa, e a moça de Santos".

4. O Túnel

Ficção A velha foto de Arthur, refeita: a névoa tem rostos, e alguém observa do alto do morro.

O que há aqui + contribuir

Um túnel desativado no plano inclinado da Serra Nova, uma longa descida abaixo da vila. Chegar lá exige andar pela linha (um teste de Escalar no trecho íngreme; uma falha custa 1D6 PV numa queda). A névoa aqui é densa mesmo de dia.

Pistas + contribuir

  • Arte/Ofício (Fotografia) (Arthur). Uma foto nova do túnel, revelada à noite no banheiro da pensão, mostra os mesmos rostos da antiga, e mais um: um rapaz de boné de ferroviário. SAN 0/1D4. Lenita reconhece o irmão.
  • Encontrar. Pegadas nos dormentes, molhadas de água do mar, entrando e saindo. Um boné de ferroviário com uma crosta de sal por dentro e A. CASTRO escrito a tinta na faixa.
  • Escutar. Água corre sob a rocha, serra abaixo, rumo à Grota Funda.
  • Encontrar, olhando de volta para o alto do morro: o brilho de um binóculo nas janelas do Castelinho.

Complicações + contribuir

Cada hora passada aqui é um teste de Contato, de dia ou de noite. Um investigador que respira fundo de propósito (veja Contato com a Névoa) vê por um instante o interior da montanha: luz violeta, e algo muito grande, dormindo.

5. O Jantar no Castelinho

História + Ficção O engenheiro-chefe oferece um acordo; o escritório dele guarda um século de segredos.

O que há aqui + contribuir

A casa do engenheiro-chefe (veja O Castelinho) e Henrique Ashworth (O Engenheiro-Chefe). O jantar é rosbife com batatas cozidas, servido por uma governanta calada. Na parede da sala de jantar há um instrumento parecido com um barômetro, com um ponteiro de cristal violeta que aponta serra abaixo.

O acordo + contribuir

Ashworth quer que os investigadores entendam, e depois que ajudem. Ele oferece a cada um aquilo que veio buscar:

  • a Dudu, mais um ano de "água de lastro" aprovado na auditoria, e a verdade sobre o pai;
  • a Arthur, o negativo, devolvido naquela noite;
  • a Lenita, o lugar onde está o irmão.

Em troca, pede que eles partam no primeiro trem depois do festival e não digam nada. Psicologia: ele está apavorado, e diz a verdade sobre o negativo e sobre o irmão.

O escritório + contribuir

O escritório está trancado (Chaveiro, ou Furtividade para tirar a chave do avental da governanta). Lá estão:

Ler tudo leva uma hora e um teste de Usar Bibliotecas; custa 1D3 SAN e dá +2% em Mitos de Cthulhu.

Desdobramentos + contribuir

Se aceitarem o acordo, Ashworth os leva pessoalmente até a câmara na noite seguinte, para "mostrar por quê". Se recusarem ou forem pegos no escritório, ele os deixa ir, e o culto começa a vigiar a pensão.

6. O Quarto Patamar

História + Ficção Uma casa de máquinas no meio da serra, uma caixa de limalha de ferro e um bueiro que engole o mar.

O que há aqui + contribuir

O quarto dos cinco patamares da Serra Nova (veja O Quarto Patamar). Para chegar, uma longa subida a pé pelo plano inclinado, ou uma viagem de locobreque se Seu Ditinho for convencido a acender a caldeira. De noite há de dois a quatro cultistas aqui, despejando salmoura e limalha pela tampa, à mão.

Pistas + contribuir

  • Consertos Mecânicos. A válvula abre o bueiro, um túnel de tijolos onde mal cabe uma pessoa rastejando, descendo para dentro da rocha.
  • Ciência (Geologia). As paredes de rocha do bueiro passam de granito cinza a um violeta fraco quanto mais fundo vão.
  • Encontrar. No depósito: uma caixa de dinamite da ferrovia, usada para limpar desmoronamentos, com estopim e espoletas. Faz diferença no Final B — Estilhaçar a Pedra.
  • Dudu, se estiver presente: uma placa no tambor traz o nome do pai entre os ajustadores que o montaram.

O bueiro + contribuir

Rastejar pelo bueiro até a Grota Funda leva uns quarenta minutos no escuro e na água. Cada investigador faz um teste de CON ou perde 1 PV com o frio, e um teste de Contato pelos túneis.

7. Sob a Grota Funda

Ficção A câmara de cristal violeta, a Semente no centro e a escolha.

SAN 1/1D6 ao entrar na câmara. Todos fazem um teste de Contato na hora.

O que há aqui + contribuir

O Corpo do Coração de Ametista, e a Semente no centro. Cultistas descem baldes de salmoura do bueiro, desesperados, enquanto a criatura grita na cabeça de todos eles. Entre eles está Tonico Castro (Tonico Castro), com Contato 9, que fala com a voz da criatura. Se Ashworth estiver aqui, ele implora para os investigadores ajudarem a mantê-la dormindo.

O que pode ser feito + contribuir

  • Arrancar a Semente: uma hora de trabalho com ferramentas da ferrovia e um teste bem-sucedido de Ciência (Geologia) ou Consertos Mecânicos. O barulho atrai mais 1D3 cultistas a cada quinze minutos. Tocar a Semente custa SAN 1/1D6 e +2 de Contato. Depois: Final A — De Volta ao Mar.
  • Estilhaçá-la: a dinamite do Quarto Patamar, encostada na coluna. Acender leva uma rodada e coragem: um teste de POD se quem acende estiver com Contato 5 ou mais. Depois: Final B — Estilhaçar a Pedra.
  • Ajudar o culto: os investigadores podem carregar salmoura junto. Isso compra mais um ano, ao preço do silêncio deles, e o Relógio da Névoa volta a 0. No próximo inverno tudo recomeça.

Se o Relógio da Névoa encher antes de os investigadores chegarem aqui, o cenário termina no Final C — A Névoa Guarda os Seus.